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17 setembro 2025

SGT PM alerta: jovens policiais saem ENDIVIDADOS da escola de formação!

A sargento da Polícia Militar de São Paulo, Elane, que atuou por décadas na área de assistência social da corporação, fez críticas na prática de autorizar a entrada de bancos e associações em cursos de formação policial. Segundo ela, essa autorização levou jovens policiais a iniciarem suas carreiras já com dívidas e compromissos financeiros de longo prazo.

De acordo com o sargento, situações como abertura de contas dentro das escolas, ofertas de consignados e convênios com associações acabam individualizando os estudantes ainda antes da conclusão da formação. Muitos recém-formados, relacionados, saem com empréstimos consignados ativos, além de parcelas de veículos e outros financiamentos reforçados de forma precipitada.



Um policial destacou que esse acesso facilitado ao crédito cria uma ilusão de poder econômico e resulta em descontrole financeiro. Em suas experiências de atendimento social, foram observados numerosos casos de vida policial em desenvolvimento específico, com impacto direto na saúde mental, familiar e no desempenho profissional.

O problema, segundo ela, não se limita à falta de orientação financeira nas academias. A prática institucional de permitir a presença de representantes de bancos dentro dos quartéis é apontada como um erro grave por parte dos comandantes, que muitas vezes desconsideram os efeitos de longo prazo dessa medida.

Elane defende que a solução está na prevenção. Para ela, a saúde financeira precisa ser tratada desde o início da carreira, por meio de palestras e orientações práticas que auxiliam policiais a equilibrar gastos e planejar uma vida financeira saudável. “Não existe milagre, existe mudança de comportamento”, afirmou.

O sargento também explicou que o endividamento excessivo tem reflexo direto na saúde mental dos agentes. Casos de depressão, problemas de relacionamento e até tentativa de suicídio, segundo ela, têm ligação com a pressão financeira enfrentada por policiais.

Apesar das críticas, a fala do policial teve tom propositivo. Atualmente na reserva, ela se coloca à disposição para ministrar palestras gratuitas de educação financeira em unidades policiais de todo o Brasil, defendendo que uma corporação mais consciente financeiramente será mais preparada para enfrentar os desafios da segurança pública.

O tema volta a expor as fragilidades no apoio social destinado às forças de segurança, em um momento em que diferentes estados discutem melhorias estruturais e salariais para suas polícias.





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06 junho 2025

Do Jegue ao Psicotécnico: Como o Choque Cultural nas Escolas de Formação Pode Virar Trauma

A formação nas escolas policiais sempre teve sua própria cultura — dura, crua e cheia de rituais de quebra de ego. Em meados de 2014 e 2015, por exemplo, ser chamado de jegue ou monstrão era parte do dia a dia da formação. Era considerado normal — ou ao menos aceito — e fazia parte de um “batismo” para endurecer o recruta. Mas será que isso era saudável?

Na conversa, com o SDTV Podcast o convidado revela que, na época dele, esse tipo de tratamento era comum. Chamados de nomes pejorativos pelos superiores, os soldados aceitavam por entender que faziam parte da cultura interna. No entanto, ele mesmo reconhece que havia um limite, e que nem todos encaravam com leveza: "Nem meu pai me chamava de jegue", dizia um colega. Isso demonstra como esses excessos, muitas vezes, já causavam incômodo lá atrás.

Com a evolução da sociedade e o foco crescente em uma polícia mais técnica e humanizada, essas práticas vêm sendo repensadas. O entrevistado destaca que hoje em qualquer empresa, se te chamarem de monstrão num treinamento, no outro dia quem falou isso já não faz mais parte do quadro. Isso mostra como o tratamento entre profissionais precisa se modernizar, inclusive dentro das instituições policiais.

Outro ponto levantado é a diferença entre o treinamento da Guarda Civil Municipal e da Polícia Militar. Por não serem militares, os guardas não passam por esse tipo de formação rígida. Isso pode explicar por que muitos agentes desenvolvem problemas psicológicos já na vida operacional. O entrevistado ressalta que os traumas não vêm da escola em si, mas sim da rotina de serviço, perseguições internas e apelidos depreciativos entre colegas e superiores.



Mesmo assim, ele acredita que tudo tem um propósito — e que seu caminho foi traçado por algo maior. Mesmo tentando se manter longe de Minas Gerais, acabou sendo direcionado para locais próximos, como Taubaté. Ele brinca: "Quem estuda, escolhe. Quem não estuda, é escolhido." Com humildade, reconhece que algumas decisões foram consequência de não ter se preparado melhor.

A motivação inicial para entrar na PM era clara: ROTA. O nome forte, o peso da farda e o respeito nas ruas fizeram os olhos brilharem. Mais do que o Baep ou a Força Tática, a ROTA representava o auge do operacional. Mas com o tempo — e as dores da rotina — a realidade foi mudando. Ao ponto de não conseguir mais olhar para uma viatura sem sentir o peso das lembranças.

Hoje, os tempos são outros. O policial moderno é mais técnico, mais capacitado e precisa ser também mais emocionalmente preparado. A cultura do jegue está ficando para trás. E isso, para muitos, não é perda de autoridade. É ganho de humanidade.


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