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26 agosto 2025

A difícil rotina do policial: Por que o "01" se sente estourado e o "03" é uma elite?

SÃO PAULO – Da adrenalina das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (ROTA) à complexidade do Policiamento Rodoviário, a carreira do Coronel da reserva Fábio Paganoto na Polícia Militar de São Paulo é um retrato dos desafios da segurança pública no Brasil. 

Em entrevista, o Oficial e atual auditor de controle externo do TCE SP, com a experiência de quem comandou tropas de elite, falou com franqueza sobre a vida real na corporação e os obstáculos enfrentados pelos policiais.

O OUTRO LADO DA POLÍCIA: DA ROTA À ESTRADA, CORONEL PAGANOTO REVELA OS BASTIDORES DA CARREIRA MILITAR

O Coronel Paganoto, com a visão de quem esteve à frente de duas das unidades mais importantes da PM, traça uma distinção clara entre o policiamento territorial, apelidado de "01", e as tropas táticas como a ROTA, conhecida como "03". O policiamento diário, que atende a todo tipo de ocorrência, do furto ao estelionato, é o alicerce da instituição, mas esgota os agentes com a burocracia das delegacias. Em contraste, as tropas de elite se concentram na "caça" a criminosos de alta periculosidade, atuando de forma especializada e com maior liberdade.


Apesar de elogiado por muitos, o modelo atual da PM enfrenta problemas, como a falta de efetivo, uma questão histórica que, segundo Paganoto, precisa ser corrigida. A discussão vai além da questão numérica e se aprofunda na gestão de pessoal, na qual o Coronel aponta a necessidade de rever os critérios de ascensão na carreira para evitar disputas internas. Para ele, o foco deve ser a meritocracia, deixando de lado o ego e as intrigas que fragilizam a hierarquia.

A fragilidade da segurança pública, no entanto, não se restringe às fronteiras institucionais. O Coronel critica a falta de integração entre as polícias, um problema cultural que prejudica o combate ao crime organizado. Ele destaca a importância da inteligência e do compartilhamento de informações, um elo que muitas vezes só existe pela confiança entre os agentes e não por uma estrutura oficial. No caso do tráfico de drogas, por exemplo, a Polícia Rodoviária se destaca por atuar no "escoamento" das cargas, em oposição ao patrulhamento de rua que lida com pequenas quantidades.

A entrevista de Paganoto também lança luz sobre a criminalidade moderna. Para ele, o Brasil não está preparado para a nova onda de crimes digitais. O especialista em informática defende a criação de um departamento especializado e a necessidade de mais investimento e mão de obra.

Por fim, o Coronel Paganoto aborda a relevância de um secretário de segurança ser um policial, independentemente da instituição de origem. Sua argumentação baseia-se na importância do conhecimento da rotina e das dificuldades enfrentadas pela tropa. Apenas quem vivenciou a realidade do policiamento e da gestão pode entender e conduzir as forças de segurança de maneira eficaz.



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11 junho 2025

O presidente das Guardas Municipais questionou publicamente as competências das PMs

No SDTV Podcast, o convidado GCM Reinaldo Monteiro abre o diálogo citando o Conselho Nacional do Ministério Público e a “brecha” na Constituição Federal: o artigo 25 trata das competências dos Estados, mas não traz menção expressa à segurança pública — essa surge apenas de forma difusa no artigo 144, que elenca órgãos, não delimita quem faz o quê. Daí a confusão sobre segurança pública básica e complexa, tema que rende debates acalorados entre PM, guardas e especialistas.

Segurança pública básica, ele explica, engloba 90 % das ocorrências diárias — perturbação de sossego, brigas em bares ou escolas, pequenos furtos — enquanto média e alta complexidade ficam a cargo das polícias especializadas. Na visão do policial, é preciso que a PM “abra o olho” para essa divisão: ao assumir casos complexos — crimes digitais, máfia de consignados, vazamento de dados —, a tropa precisaria se reinventar em BaEPs e Rotas modernas, formando pelotões treinados para lidar com o novo “cangaço”.

A conversa avança para a PEC 18, proposta de emenda constitucional do ministro Lewandowski. Muitos governadores levaram resistência — não por rejeitar as guardas, mas por temer a ampliação das atribuições da Polícia Federal. A PEC estende aos Estados competência concorrente para legislar sobre segurança pública, incluindo as guardas municipais na Constituição, conferindo-lhes papel ostensivo e preventivo.



Além de estabelecer a função de policiamento comunitário, a PEC 18 prevê recursos federais específicos para fardamento, armamento, viaturas, câmeras, treinamento e cursos das guardas. O salário continua responsabilidade dos municípios, mas abre-se um canal permanente de financiamento — algo semelhante ao SUS e ao FUNDEB, hoje ausente na área de segurança.

O convidado destaca que, ao contrário de saúde (15 % da receita) e educação (25 %), a segurança pública não tem reserva mínima obrigatória. Isso faz com que secretários e prefeitos despriorizem a guarda municipal. Para reverter isso, ele defende que o legislador imponha um teto — mesmo que seja 3 % ou 5 % da receita — para garantir dotação orçamentária.

A segurança, reforça o policial, é pilar tão vital quanto saúde, educação e assistência social. Sem ela, problemas habitacionais, invasões e construções irregulares proliferam. Uma guarda presente poderia fiscalizar e evitar a ocupação de áreas de risco, reduzindo a formação de favelas e salvando vidas.

O SDTV Podcast conclui: a PEC 18 não é apenas um ajuste jurídico, mas uma modernização indispensável. Ao colocar as guardas municipais na linha de frente, o país ganha agilidade na resposta a delitos básicos e brecha para especializações enfrentarem as novas ameaças. Fica o convite para o debate e a participação ativa de quem veste a farda ou se interessa pela segurança de todos.


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Juiz Militar defende o avanço das Guardas Municipais rumo à Polícia Municipal

A fala do juiz e professor Dr. Roth , durante evento de segurança em São Paulo, reforçou uma pauta cada vez mais presente entre profissionai...