SÃO PAULO – Da adrenalina das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (ROTA) à complexidade do Policiamento Rodoviário, a carreira do Coronel da reserva Fábio Paganoto na Polícia Militar de São Paulo é um retrato dos desafios da segurança pública no Brasil.
Em entrevista, o Oficial e atual auditor de controle externo do TCE SP, com a experiência de quem comandou tropas de elite, falou com franqueza sobre a vida real na corporação e os obstáculos enfrentados pelos policiais.
O OUTRO LADO DA POLÍCIA: DA ROTA À ESTRADA, CORONEL PAGANOTO REVELA OS BASTIDORES DA CARREIRA MILITAR
O Coronel Paganoto, com a visão de quem esteve à frente de duas das unidades mais importantes da PM, traça uma distinção clara entre o policiamento territorial, apelidado de "01", e as tropas táticas como a ROTA, conhecida como "03". O policiamento diário, que atende a todo tipo de ocorrência, do furto ao estelionato, é o alicerce da instituição, mas esgota os agentes com a burocracia das delegacias. Em contraste, as tropas de elite se concentram na "caça" a criminosos de alta periculosidade, atuando de forma especializada e com maior liberdade.
Apesar de elogiado por muitos, o modelo atual da PM enfrenta problemas, como a falta de efetivo, uma questão histórica que, segundo Paganoto, precisa ser corrigida. A discussão vai além da questão numérica e se aprofunda na gestão de pessoal, na qual o Coronel aponta a necessidade de rever os critérios de ascensão na carreira para evitar disputas internas. Para ele, o foco deve ser a meritocracia, deixando de lado o ego e as intrigas que fragilizam a hierarquia.
A fragilidade da segurança pública, no entanto, não se restringe às fronteiras institucionais. O Coronel critica a falta de integração entre as polícias, um problema cultural que prejudica o combate ao crime organizado. Ele destaca a importância da inteligência e do compartilhamento de informações, um elo que muitas vezes só existe pela confiança entre os agentes e não por uma estrutura oficial. No caso do tráfico de drogas, por exemplo, a Polícia Rodoviária se destaca por atuar no "escoamento" das cargas, em oposição ao patrulhamento de rua que lida com pequenas quantidades.
A entrevista de Paganoto também lança luz sobre a criminalidade moderna. Para ele, o Brasil não está preparado para a nova onda de crimes digitais. O especialista em informática defende a criação de um departamento especializado e a necessidade de mais investimento e mão de obra.
Por fim, o Coronel Paganoto aborda a relevância de um secretário de segurança ser um policial, independentemente da instituição de origem. Sua argumentação baseia-se na importância do conhecimento da rotina e das dificuldades enfrentadas pela tropa. Apenas quem vivenciou a realidade do policiamento e da gestão pode entender e conduzir as forças de segurança de maneira eficaz.
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