A Medida Provisória 2.215-10/2001, editada há mais de duas décadas, permanece como um ponto central de debate e preocupação entre militares da ativa, inativos e pensionistas. A legislação, que alterou o regime remuneratório do pessoal das Forças Armadas, é frequentemente associada à supressão de direitos e garantias adquiridas, gerando um impacto financeiro significativo na vida de milhares de famílias. A discussão sobre sua constitucionalidade e a possibilidade de revisão é um tema recorrente em fóruns e mídias especializadas, como a Revista Sociedade Militar.
09 agosto 2025
Aposentadoria da Mulher Policial: entenda porque o tempo é diferente!
A luta por direitos dentro das carreiras policiais é constante, e a questão da aposentadoria das mulheres policiais tem ganhado destaque. Recentemente, a APMDFESP, que se identifica como a primeira associação a mover uma ação judicial sobre o tema, está na vanguarda desse movimento, buscando garantir que as profissionais da segurança pública tenham seus direitos reconhecidos. A associação não se restringe a um único estado, mas abrange policiais militares, civis, científicas, penais e guardas municipais de todo o Brasil.
O cerne da questão é o reconhecimento da jornada dupla ou tripla que muitas mulheres enfrentam. Além de sua atuação como profissionais da segurança pública, elas frequentemente acumulam responsabilidades familiares como mães e esposas. Essa realidade, que já é considerada para a aposentadoria em carreiras civis e militares de outras áreas, precisa ser aplicada de forma justa também no mundo policial. O objetivo é garantir que a diferença de gênero e a carga extra de trabalho sejam consideradas na hora de definir os critérios de aposentadoria.
A associação APMDFESP acredita que a via judicial é o caminho mais eficaz para alcançar esse objetivo. Segundo a entidade, o Estado, por si só, raramente concede esses direitos sem a necessidade de uma ação. A atuação de um corpo jurídico especializado, como o da associação, é fundamental para garantir que as demandas das associadas sejam tratadas de forma profissional e com maiores chances de sucesso. Isso garante que as policiais de todo o país tenham uma representação forte e coesa na busca por seus direitos.
A iniciativa da associação ganha ainda mais força com as recentes decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). Em uma decisão, o ministro Flávio Dino suspendeu a regra que igualava a idade mínima para aposentadoria de homens e mulheres policiais civis e federais, considerando que a regra desconsiderava a diferenciação de gênero. Essa decisão é um passo importante, pois sinaliza que a Justiça está atenta a essa questão e reconhece a necessidade de critérios diferentes para as mulheres.
A decisão do STF foi referendada pelo plenário e direcionou a aplicação da norma para alguns estados, entre eles São Paulo e Rio de Janeiro, que estavam entre os que se opunham a essa diferenciação. Com isso, a decisão não é apenas uma possibilidade, mas uma determinação que exige que esses estados se manifestem e se adequem. É um sinal claro de que a igualdade de tratamento em relação à aposentadoria, sem considerar as particularidades da mulher, é algo inconstitucional.
Em resumo, a luta por uma aposentadoria justa para a mulher policial é um reflexo de uma sociedade que começa a reconhecer as particularidades e desafios enfrentados por essas profissionais. A atuação de associações como a APMDFESP, somada a decisões favoráveis da mais alta corte de justiça do país, mostra que o cenário está mudando. É uma batalha que valoriza a mulher em sua integralidade, reconhecendo não apenas seu papel profissional, mas também suas outras jornadas de vida.
11 junho 2025
A Luta Pela GRAM: Justiça Para Militares Inativos e Pensionistas do RJ
O SDTV Podcast recebeu a Dra. Regina, advogada atuante em São Paulo e também no Rio de Janeiro, para tratar de um tema delicado: as injustiças sofridas pelos militares inativos e pensionistas do Estado do Rio de Janeiro, especialmente no tocante à GRAM (Gratificação de Risco de Atividade Militar). Segundo a doutora, a forma como o Estado vem lidando com esse direito representa um verdadeiro desrespeito à Constituição e à legislação própria da carreira militar.
A entrevista destacou a atuação incansável do Major Luigi, que há mais de três anos denuncia o descaso e a omissão por parte do governo estadual. Ele tem se movimentado junto ao Tribunal de Contas, tentando impedir que a GRAM seja descontinuada ou aplicada de forma desigual, o que compromete a paridade e a integralidade dos vencimentos — princípios que deveriam ser garantidos aos inativos e pensionistas.
A Dra. Regina pontuou que a redução repentina de salários, justamente em um momento da vida em que esses profissionais mais precisam, representa uma espécie de "descarte" institucional. Militares que entregaram a juventude e arriscaram a vida em defesa da sociedade agora enfrentam dificuldades básicas, como falta de dinheiro para medicamentos, cestas básicas, e até mesmo a necessidade de buscar trabalho informal, como entregas por aplicativo e vendas em semáforos.
O Estado, que deveria proteger e respeitar os direitos desses profissionais, tem agido no sentido contrário, por meio de sua Procuradoria, que constantemente recorre, embarga decisões e posterga as demandas judiciais. Isso agrava o sofrimento emocional e financeiro das famílias dos militares. Muitos desses profissionais estão adoecidos, mental e fisicamente, e não têm sequer auxílio adequado para suas necessidades diárias.
O SDTV Podcast também discutiu a incoerência da postura do governo em relação à natureza da GRAM. Em momentos, a gratificação é tratada como indenizatória — o que dispensaria descontos —, e em outros, como remuneratória, justamente para permitir a retenção do Imposto de Renda. Isso causa prejuízo direto ao servidor, que sofre com descontos sem ter os devidos reflexos em sua folha.
Dra. Regina ressaltou que quanto antes o militar ou pensionista entrar com ação judicial, melhor. Isso porque os atrasados vão para precatório, e o Estado tem demorado anos para quitar essas dívidas. A equipe do escritório dela trabalha com pedidos liminares para tentar garantir, de forma emergencial, ao menos parte dos direitos até que a decisão final seja alcançada.
Por fim, foi elogiada a postura do Major Luigi, que tem sido uma verdadeira voz de resistência. Ele acompanha de perto os processos e tem denunciado irregularidades graves, como a nomeação do próprio vice-governador para o cargo de conselheiro do TCE — o mesmo que agora precisa fiscalizar o governo do qual ele mesmo fez parte. Um conflito ético que precisa ser questionado.
Essa luta vai muito além da GRAM. É a luta pela dignidade de homens e mulheres que serviram ao Estado com honra e que agora, mais do que nunca, precisam de respaldo. O SDTV Podcast segue acompanhando de perto esse tema e dando voz a quem realmente merece ser ouvido.
Juiz Militar defende o avanço das Guardas Municipais rumo à Polícia Municipal
A fala do juiz e professor Dr. Roth , durante evento de segurança em São Paulo, reforçou uma pauta cada vez mais presente entre profissionai...
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