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28 abril 2025

Delegado expõe "racha" na Segurança ou é preservação das funções da PC?

A segurança pública no Brasil é um tema complexo que envolve várias forças policiais, cada uma com suas atribuições específicas. Recentemente, em um podcast do canal Segurança e Defesa TV, o delegado de polícia civil Dr. André discutiu a relação entre a Polícia Civil e a PolíciaMilitar, ambas de São Paulo, destacando desafios e possibilidades de integração entre essas forças. Em muitas regiões do país, especialmente onde a estrutura é limitada, a Polícia Militar tem assumido algumas funções típicas da Polícia Civil, embora sem uma base legal formal para isso. Isso ocorre porque, em alguns lugares, não há presença da Polícia Civil, e a Militar acaba realizando essas atribuições por necessidade.

Além disso, o Supremo Tribunal Federaldecidiu que a Polícia Militar pode lavrar termos circunstanciados de ocorrência, o que reflete uma flexibilização das atribuições tradicionais. No entanto, essa prática não é uniforme em todo o país. Em São Paulo, por exemplo, a Polícia Civil está presente em todos os municípios, cobrindo todas as áreas com delegacias. Isso permite uma atuação mais eficaz e especializada em termos de polícia judiciária, diferentemente de outras regiões onde a infraestrutura é mais limitada.


Em primeiro lugar, é importante entender que a Polícia Civil tem a responsabilidade exclusiva pela investigação de crimes comuns, exceto os militares. Ela realiza inquéritos policiais, coleta provas e prepara os casos para o Ministério Público e o Judiciário. A Polícia Militar, por outro lado, é responsável pelo policiamento ostensivo e pela manutenção da ordem pública. Ademais, a ideia de integrar essas forças pode ser benéfica, mas requer uma abordagem cuidadosa para evitar a sobreposição de funções.

Discussão expõe "racha" entre as Polícias

Além disso, a possibilidade de a Polícia Militar lavrar termos circunstanciados de ocorrência pode ser vista como uma forma de otimizar o trabalho, desde que as informações sejam tratadas por um delegado de polícia, que tem a capacidade técnico-jurídica para decidir sobre a natureza do crime e as medidas a serem aplicadas. No entanto, em São Paulo, essa necessidade não é tão urgente, pois a Polícia Civil já está bem estruturada e presente em todo o estado.

Assim como, a busca por um "ciclo completo de polícia", onde uma única força faz tudo, é um debate interessante. Se a Polícia Militar ou a Civil fizessem tudo, poderia haver uma sobreposição de funções e, potencialmente, uma perda de especialização. Em vez disso, uma integração eficaz poderia envolver a colaboração entre as forças, com cada uma contribuindo com suas especialidades para melhorar a segurança pública.

Em resumo, a relação entre a Polícia Civil e a Polícia Militar é complexa e varia de acordo com a região. Enquanto há desafios em termos de infraestrutura e atribuições, também existem oportunidades para melhorar a colaboração e a eficiência das forças de segurança. A chave está em encontrar um equilíbrio que respeite as especializações de cada força e otimize o trabalho em prol da segurança pública. 


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21 abril 2025

Por que a Polícia Civil não quer deixar a PM fazer o Termo Circunstanciado: o que está por trás disso?

A discussão sobre quem deve lavrar o Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) ganhou força em São Paulo após uma recente tentativa da Polícia Militar de assumir essa atribuição. O tema, debatido no canal Segurançae Defesa TV com o delegado e presidente da associação dos delegados de SP, traz reflexões importantes para policiais civis, militares e para todos que acompanham a evolução da segurança pública no Brasil.

O Papel do Termo Circunstanciado e a Realidade Paulista

O TCO é um procedimento previsto para crimes de menor potencial ofensivo, com penas de até dois anos, regulamentado pela Lei 9.099/95. Em muitos estados, especialmente onde a estrutura da Polícia Civil é limitada, a Polícia Militar assumiu a lavratura do TCO por necessidade prática. Porém, em São Paulo, a situação é diferente: a Polícia Civil está presente em todos os municípios, com delegacias cobrindo todo o território estadual, o que elimina a justificativa de ausência de estrutura.

Segundo o delegado entrevistado, a integração entre as polícias poderia ser otimizada com sistemas tecnológicos, permitindo que um PM encaminhe as ocorrências para análise do delegado, sem transferir a atribuição de lavratura do TCO. Essa solução manteria a competência técnico-jurídica do delegado, que é formada para decidir sobre crimes e medidas cabíveis, além de garantir o respeito ao que determina a Constituição Federal.

Ciclo Completo de Polícia: Debate Antigo, Desafios Atuais

A tentativa da PM de lavrar o TCO em São Paulo foi vista como uma busca por ampliação de poder, inserida em um debate maior: o ciclo completo de polícia. Nesse modelo, uma única polícia faria tanto o policiamento ostensivo quanto a investigação criminal, diferente do sistema atual, em que a PM atua na prevenção e a Civil na investigação. O ciclo completo é uma pauta antiga, mas que nunca avançou no Brasil, pois exigia mudanças constitucionais profundas.

O delegado ressalta que, além das questões técnicas, há desafios orçamentários. Se ambas as autoridades passarem a fazer o mesmo trabalho, será preciso duplicar recursos, o que pode ser inviável financeiramente. Além disso, surgem dúvidas sobre a perícia dos policiais militares para lidar com decisões jurídicas complexas, como definir o que é crime de menor ou maior potencial ofensivo, solicitar perícias e custodiar objetos apreendidos.

A surpresa dos delegados ocorreu quando uma ordem preparatória da PM, sem respaldo de decreto do governador ou lei específica, tentou normatizar a lavratura do TCO pelos militares. O vazamento desse documento expôs inconsistências técnicas e jurídicas, levando a associação dos delegados a questionar a medida.


Apesar das divergências, o delegado confirmou que a intenção da PM pode ter sido de aprimoramento da segurança pública, mas alerta para a importância de respeitar os limites constitucionais e evitar sobreposições de funções. O artigo 144 da CF é claro: cabe à Polícia Civil apurar infrações penais e à PM preservar a ordem pública.

No fim, o debate sobre o TCO é apenas parte de uma discussão maior sobre o futuro das polícias no Brasil. Unificar as autoridades ou adotar o ciclo completo são cenários possíveis, mas que exigem amplo debate e mudanças estruturais. O importante é que cada instituição cumpra seu papel, respeitando a lei e buscando sempre o melhor para a sociedade e para os profissionais de segurança pública.

Para policiais civis, militares e gestores, entender essas discussões é fundamental para acompanhar as mudanças e defender seus direitos e atribuições. O futuro da segurança pública depende de diálogo, integração e respeito às competências de cada força policial.



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