Superendividamento policial expõe drama silencioso nas forças de segurança
O superendividamento tornou-se um dos principais problemas entre policiais civis, militares e pensionistas da segurança pública no Brasil. A pressão financeira gerada pelo excesso de empréstimos consignados e renegociações bancárias afeta diretamente a vida funcional e pessoal desses profissionais.
Em São Paulo, advogados especializados relatam que muitos policiais apresentam margem salarial negativa. Em alguns casos, os rendimentos líquidos chegam a zero após os descontos automáticos em folha, restando bicos e trabalhos extras como única alternativa para sustento da família.
A lei do superendividamento (14.181/2021) foi criada para oferecer mecanismos de recuperação financeira às pessoas físicas. Ela prevê a negociação judicial ou administrativa de dívidas de consumo, como cartões de crédito e empréstimos consignados, privilegiando o “mínimo existencial”: valores necessários para alimentação, moradia e saúde.
No entanto, bens de luxo, dívidas fiscais e financiamentos com garantia real não estão cobertos por esse mecanismo. Isso significa que subsídios de veículos ou imóveis seguem outras regras jurídicas.
O impacto desse cenário vai além da economia doméstica. Os policiais individualizados acabam submetidos a escalas extenuantes e jornadas adicionais. Em muitos casos, os pacientes trabalham para não perder rendas paralelas permitidas ou informais. O problema também atinge os pensionistas, que muitas vezes herdam dívidas e perdem parte das pensões na cobrança dos bancos.
Os especialistas destacam ainda as práticas abusivas de instituições financeiras, como refinanciamentos que aumentam o valor das dívidas e a venda casada de produtos. Os advogados de defesa apontam falhas no chamado “crédito responsável”, já que os empréstimos continuam sendo oferecidos sem avaliação adequada da capacidade de pagamento.
Diante desse quadro, cresce a procura por órgãos jurídicos que oferecem orientação gratuita inicial. O objetivo é claro como funciona a renegociação via Bacen, audiências de conciliação e até a suspensão dos descontos imediatos em folha, mecanismo pouco divulgado entre servidores públicos.
O superendividamento policial revela uma fragilidade estrutural: profissionais da segurança, responsáveis pela ordem pública, tornam-se reféns da dívida e dos bancos. O tema exige maior debate institucional e políticas específicas para proteger quem dedica sua vida ao serviço público.
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