O assédio moral e sexual dentro das instituições policiais brasileiras é um problema recorrente e pouco discutido. Apesar de existir em vários campos profissionais, na segurança pública a questão se agrava por fatores estruturais como machismo, hierarquia rígida e cultura militarizada.
A advogada e ex-policial Carol, com experiência de cinco anos na Polícia Militar, relata que as práticas de assédio podem surgir de comentários aparentemente inofensivos, como piadas e insinuações, até comportamentos hostis e sistemáticos. O alvo mais frequente é a mulher policial, que muitas vezes precisa adotar uma postura mais rígida para se impor no ambiente de trabalho.
Há relatos de policiais chorando em alojamentos após episódios de assédio, que incluem desde insinuações sexuais até o desvio de função, obrigando mulheres a realizar tarefas domésticas, como servir café ou limpar áreas de trabalho. Essas práticas representam desqualificação profissional motivada por gênero.
Segundo especialistas, o assédio moral está a um passo do assédio sexual, e a falta de conscientização nas academias e cursos de formação permite que tais condutas se perpetuem. Não há campanhas internas específicas e, muitas vezes, o assunto é varrido para debaixo do tapete.
Carol reforça que as vítimas devem reunir provas, procurar advogados de confiança e registrar denúncias na ouvidoria ou, quando possível, na corregedoria. Ela alerta para a importância de combater o problema nos primeiros episódios, evitando sua evolução para casos graves e sistêmicos.
O cenário exige não apenas punição para os assediadores — administrativa, judicial e financeira — mas também mudanças na formação, com detecção precoce de comportamentos abusivos. Sem diálogo e medidas concretas, o assédio continua sendo uma ferida aberta na segurança pública.
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