20 outubro 2025

TCE-SP aponta irregularidades na contratação de PMs para escolas cívico-militares

O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) recomendou a anulação do edital que previa a contratação de policiais militares da reserva para atuarem como monitores em escolas cívico-militares da rede estadual. A decisão, de caráter liminar, indica que o processo apresenta falhas de ordem legal e orçamentária.

Segundo parecer emitido pelos auditores do TCE, o edital não possui previsão na legislação educacional paulista e carece de dotação orçamentária para o exercício vigente. Além disso, o órgão apontou discrepâncias salariais entre os monitores militares e civis, o que caracterizaria um possível privilégio indevido.



O modelo proposto pelo governo estadual previa o pagamento de cerca de R$10 mil a oficiais e entre R$4 mil e R$6 mil a praças da reserva, valores até seis vezes maiores que os praticados para cargos semelhantes no quadro civil. Para o TCE, a medida afronta os princípios da economicidade e da impessoalidade previstos no artigo 37 da Constituição Federal.

Outro ponto de crítica levantado no parecer trata do processo seletivo proposto pela Secretaria da Educação, que se basearia apenas em análise de currículos e entrevistas. Para os técnicos da Corte, esse método favorece escolhas pessoais e pode abrir espaço para indicações políticas, o que contraria os critérios exigidos pela administração pública.

Especialistas em gestão pública destacam que a ausência de previsão orçamentária e a falta de critérios técnicos transparentes configuram riscos administrativos relevantes. Além disso, o uso de policiais da reserva em funções que não envolvem atividade de segurança pode gerar dúvidas sobre a adequação funcional dessas contratações.

Em nota oficial, a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo informou que analisa o parecer do TCE-SP com respaldo técnico-jurídico e mantém diálogo com os órgãos de controle. A pasta reafirmou o compromisso de que eventuais contratações seguirão os parâmetros legais e orçamentários vigentes.

Enquanto o mérito do processo não é julgado, a iniciativa segue suspensa. A decisão repercute entre policiais da reserva e servidores ativos, reacendendo o debate sobre o papel dos militares na formação cívica e disciplinar dos alunos da rede pública.





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