A vida das famílias de policiais no Brasil é marcada por um equilíbrio difícil entre orgulho e medo. Para muitos filhos de agentes de segurança, o cotidiano é permeado pela ansiedade e pelo silêncio, fruto de uma realidade hostil e da forma como a profissão ainda é vista pela sociedade.
A psicóloga Débora Iris, entrevistada pelo canal Segurança e Defesa TV, destacou que essas crianças vivem uma dupla realidade: admiram o heroísmo dos pais, mas temem a violência que envolve o trabalho policial. Segundo ela, esconder a profissão do pai ou da mãe pode gerar sentimentos duradouros de desconfiança e insegurança.
Esses sentimentos, quando não trabalhados, podem evoluir para dificuldade de socialização e ansiedade social. A criança que aprende a manter segredos por segurança pode crescer sem confiança nos outros, levando esse comportamento à vida adulta e afetiva.
Dentro de casa, outro fator importante é o chamado “colete emocional”. Policiais costumam adotar uma postura de distanciamento emocional necessária ao trabalho, mas muitas vezes essa barreira permanece no ambiente familiar, dificultando o diálogo com os filhos. A falta de conversa e de expressão emocional acaba reforçando o isolamento da criança.
Comparando com países europeus, a psicóloga destaca diferenças culturais marcantes. Lá, as crianças enxergam os pais policiais com orgulho público. No Brasil, porém, a hostilização social e a imagem negativa do policial na mídia ampliam o medo e o desconforto das famílias, impactando diretamente a saúde mental dos filhos.
Débora defende que instituições de segurança avancem no atendimento psicossocial, não apenas ao policial, mas também às famílias. A criação de grupos de apoio e rodas de conversa entre cônjuges e parentes de policiais ajudaria a reduzir o isolamento e fortalecer os vínculos familiares.
A especialista enfatiza ainda que a psicoterapia é uma ferramenta essencial para reconstruir a confiança entre pais e filhos, prevenindo transtornos psicológicos e formando crianças emocionalmente mais seguras. O diálogo, embora difícil, é o principal caminho para quebrar o ciclo de medo e silêncio que ainda afeta boa parte das famílias policiais brasileiras.
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