Nos últimos anos, um número crescente de policiais militares tem pedido exoneração ou antecipado a aposentadoria. O fenômeno, identificado por veteranos e especialistas, revela uma crise silenciosa nas corporações de segurança pública.
O advogado e ex-policial militar Gimenes analisa que não é apenas o salário o motivo central da debandada. Segundo ele, a persistência de práticas disciplinares ultrapassadas e a falta de valorização humana são fatores determinantes para o descontentamento interno.
A expressão “tratados como robôs” define bem o sentimento que cresce entre os praças. Jovens que ingressam hoje nas forças têm outro perfil: mais escolarizados, conectados e conscientes de direitos trabalhistas. No entanto, muitos afirmam que continuam enfrentando um ambiente rígido, onde superioridade hierárquica se confunde com autoritarismo.
Além do desprezo institucional, há denúncias de punições consideradas extralegais. Transferências repentinas, mudanças arbitrárias de escala e perseguições sob o pretexto de “a bem do serviço” são relatadas com frequência. Tais medidas prejudicam famílias, desgastam os policiais e ampliam a sensação de injustiça dentro da tropa.
A chamada Instrução 40 (I-40 PM), que permite o desligamento de policiais antes do trânsito em julgado de processos criminais, também é apontada como um dos instrumentos que contribuem para a evasão. A norma é de competência do Comando-Geral e tem sido criticada por juristas e entidades de classe.
Enquanto o governo do Estado e o comando da PM falam em modernização e recomposição salarial para “reter talentos”, dados internos mostram que o efetivo continua caindo. O problema vai além de reajustes: exige revisão da cultura organizacional e do modelo disciplinar.
Sem essas mudanças, o ciclo da desmotivação tende a se perpetuar. A tropa perde seus quadros mais experientes, e o Estado, por consequência, vê comprometer-se a segurança pública e a eficiência dos serviços prestados à população.
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