Nos últimos meses, denúncias sobre fraudes previdenciárias e vazamentos de dados do INSS ganharam destaque nacional. O assunto, revelado pela advogada previdenciária Maria Faiock, expôs um esquema que afeta diretamente aposentados, pensionistas e servidores públicos, inclusive vinculados a regimes próprios como a SPPREV.
Historicamente, as fraudes contra o Instituto Nacional do Seguro Social não são novidade. Desde os anos 1990, acordos de cooperação entre o INSS e entidades sindicais permitiram descontos diretos na folha de pagamento, sem a necessidade de autorização individualizada. A medida, criada com fins administrativos, acabou abrindo brechas para práticas irregulares.
De acordo com Faiock, a fraude atual é diferente: os alvos são as vítimas finais — os beneficiários. Em vez de desviar recursos públicos, os estelionatários atacam diretamente os rendimentos dos segurados, insertando descontos indevidos e mascarando-os como contribuições associativas ou serviços financeiros.
Outro ponto grave, segundo a advogada, é o possível vazamento de informações sigilosas da Dataprev, base de dados que armazena informações de milhões de segurados. Essa exposição teria permitido que associações e financeiras acessassem nomes, valores e contatos de beneficiários, facilitando fraudes por telefone e ofertas ilegítimas de empréstimos consignados.
O problema, alerta Faiock, não se limita ao regime geral de previdência. Servidores públicos estaduais e municipais também relatam irregularidades em regimes próprios, como a SPPREV. O vazamento de dados e a ausência de fiscalização tornam o cenário ainda mais preocupante.
Além dos descontos irregulares, há relatos de empréstimos fraudulentos, juros abusivos e até venda de senhas em unidades do CRAS. Muitos beneficiários relatam dificuldade em acessar plataformas oficiais, o que aumenta a vulnerabilidade de idosos e pessoas com deficiência.
A advogada defende maior atuação de órgãos como a Polícia Federal, Ministério Público e órgãos de auditoria. Ela ainda recomenda que cada segurado fiscalize mensalmente seu contracheque, verifique descontos anormais e registre ocorrência em caso de suspeita.
Para o público das forças de segurança, o alerta é claro: o golpe pode estar dentro do próprio sistema. A prevenção, nesse contexto, é uma questão não apenas financeira, mas também de cidadania e proteção institucional.
Siga-nos no X, clique aqui
Siga-nos no Instagram, clique aqui
Clique aqui para falar no WhatsApp

Nenhum comentário:
Postar um comentário