29 setembro 2025

COE e BOPE: o treinamento que mudou na PM-SP

O Comando de Operações Especiais (COE) da Polícia Militar de Identidade de São Paulo esteve próximo de perder sua operação nos anos 1990. A unidade, que surgiu para atuar no enfrentamento ao crime em áreas de mata e terrenos de difícil acesso, passou por um período em que as atividades de resgate obtiveram a se sobrepor às operações de combate.

Oficiais que ingressaram no COE na época contam que a tropa estava sendo comparada aos bombeiros, focando no salvamento de pessoas perdidas nas florestas. O risco, segundo eles, era que o grupo especializado em ações de alta complexidade criminal se transformasse em uma força apenas de apoio.



A mudança de boato começou quando o coronel Reinaldo assumiu o comando. Rígido na hierarquia, mas defensor da atividade de policiamento, ele apoiou a ideia de resgatar o caráter de confronto ao crime que sempre marcou o COE. Para conceber o alto comando, um passo importante foi o treinamento com o BOPE, no Rio de Janeiro.

A escolha não foi por acaso. O BOPE acumulou experiência em operações de incursão em comunidades dominadas pelo tráfico, com táticas que o COE poderia adaptar à realidade paulista. Os cursos de conduta de patrulha em favelas se tornaram fundamentais na reformulação da tropa.

A troca também revelou diferenças de atuação entre os estados. Enquanto no Rio os confrontos muitas vezes não geravam apuração, em São Paulo o policial prestou contas a diversas instâncias, do delegado ao Ministério Público, passando até por lideranças comunitárias. Essa pressão fez com que a PM paulista desenvolvesse processos de controle mais rígidos.

Com a entrada de oficiais vindos da ROTA e de outras unidades de elite, o COE retomou a sua vocação. A tropa voltou a ser vista como especializada em operações de grande risco, tanto em áreas de mata como em ações no litoral, onde passou a enfrentar também crimes ligados ao tráfico internacional.

Hoje, além das operações em comunidades urbanas, o COE é empregado em missões de combate à pirataria, interceptação de drogas em navios e apoio a operações da Polícia Federal. A experiência adquirida com o BOPE foi decisiva para consolidar uma unidade como força de elite integrada a diferentes planos de segurança pública em São Paulo.





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