A Polícia Militar de São Paulo vive um movimento crescente de exonerações voluntárias, conhecido entre os especialistas como “êxodo policial”. As aparências preocupam tanto a corporação quanto a sociedade, já que o estado possui a maior força de segurança da América Latina.
O principal motivo apontado pelos especialistas é a baixa remuneração. Os políticos relatam que, mesmo após anos de dedicação, os reajustes salariais não acompanham a inflação, o que, na prática, representa perda de poder de compra. Muitos acabam recorrendo a bicos oficiais para complementar a renda, sacrificando descanso e tempo com a família.
Além do fator financeiro, há a questão da carreira engessada. Diferentemente de outras áreas do funcionalismo público, a progressão na PM é lenta e depende de provas internas. Essa burocracia alimenta uma indústria de cursos preparatórios, que acaba criando barreiras para a ascensão profissional.
Outro dado preocupante é a queda no número de candidatos para os concursos. Há cerca de uma década, mais de 120 mil pessoas disputaram uma vaga na PM paulista. Hoje, o número não chega a 30 mil, mesmo com o aumento das vagas e a ampliação para inscrições em todo o país.
A falta de reconhecimento social também pesa. Pesquisas e relatos de policiais mostram que, no Brasil, a categoria não tem a valorização vista em outros países, como Estados Unidos e Europa, onde as forças policiais são extremamente respeitadas. Esse cenário contribui para o desânimo e a sensação de abandono entre policiais.
Os impactos psicológicos também chamam atenção. Dados internos apontam que cerca de 3.500 policiais de São Paulo estão afastados por motivos de saúde mental, número equivalente ao efetivo de uma polícia de médio porte.
O debate ainda ganhou mais intensidade com a aprovação do PLC 135/23, que permite a soma de tempo de serviço da PM com o INSS para facilitar a aposentadoria. Estimativas variam entre 10 mil e 20 mil possíveis pedidos imediatos de reserva, o que pode afetar diretamente o policiamento nas ruas.
Enquanto a tropa cobra recomposição salarial e revisão da estrutura de carreira, o comando da PM estuda alternativas para evitar queda brusca no efetivo, como deslocar policiais do setor administrativo para o policiamento ostensivo. A solução definitiva, entretanto, envolve reformas estruturais na valorização dos policiais e na forma como a corporação lida com sua base.
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