A Polícia Militar do Estado de São Paulo enfrentou um fenômeno crescente de baixas entre seus cadetes, incluindo alunos da tradicional Academia de Polícia Militar do Barro Branco. Apesar da riqueza da instituição, relatos de ex-integrantes revelam uma rotina marcada por tensões psicológicas, jornadas intensas e clima de hostilidade interna.
O caso mais recente é o de Marcos Moura, ex-aluno oficial que decidiu pedir baixa após pouco tempo na academia. Ele relata que, apesar da conquista de ter sido aprovada em oitavo lugar no concurso concorrido, a distância da família e as condições de formação se mostraram insustentáveis.
Segundo Moura, um dos maiores obstáculos é o elevado índice de reprovação no exame psicológico, que chega a eliminar metade dos candidatos. Além disso, a adaptação dos jovens de outros estados, como Bahia e Amazonas, agrava o quadro de isolamento e saudade, fatores que comprometem a permanência na carreira militar.
Outro ponto levantado é a rotina do CFO, considerada estressante. A jornada começa antes das 6h da manhã e pode se estender até a madrugada, deixando pouco espaço para a vida pessoal. Moura afirma que a pressão interna, associada à posição de hierarquia, gera um ambiente de medo e inimizações entre turmas.
As críticas também se estendem às escalas de serviço da PM paulista. Enquanto em outros estados os bombeiros e policiais militares trabalham em regimes mais flexíveis, em São Paulo prevalecem escalas que, segundo entrevistamos, limitam o desenvolvimento pessoal e aumentam o desgaste.
Além dos problemas de rotina, o ex-cadete relata perseguições internacionais para manter um curso online de preparação para concursos militares. Enquanto os alunos sofrem avaliações por iniciativas desse tipo, os oficiais superiores realizam cursos particulares sem impedimentos, o que reforça a percepção de "dois pesos e duas medidas" dentro da corporação.
Especialistas apontam que o modelo de formação com base na disciplina e em práticas herdadas do Exército não dialoga com a nova geração de policiais. A falta de flexibilidade e de empatia nas relações formais pode impactar não apenas os cadetes, mas também a imagem da instituição perante a sociedade.
As baixas entre cadetes do Barro Branco refletem uma questão estrutural mais ampla: a necessidade urgente de revisão dos métodos de formação e valorização da tropa. A manutenção de altos índices de desistência indica que a carreira policial em São Paulo enfrenta um processo de esvaziamento preocupante, exigindo análise séria das autoridades competentes.
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