22 setembro 2025

Especialista alerta: Brasil pode chegar ao ponto de inflexão rumor ao narcoestado

O crescimento das organizações criminosas no Brasil tem levantado preocupações sobre os rumores da segurança pública e da própria institucionalidade do Estado. Para o advogado e professor de direito penal Fernando Capano, o país vive um momento crítico e corre o risco de caminhar para a condição de narcoestado caso medidas urgentes não sejam impostas.

Segundo Capano, a atuação das facções criminosas já ultrapassou o confronto tradicional com a polícia. Hoje, grupos organizados têm sobre setores avançados da economia, adquirindo imóveis em áreas estratégicas como o litoral paulista e ingressando em mercados como combustíveis e até serviços básicos. Essa infiltração gera uma dominação territorial e econômica que dificulta a atuação do Estado.



Investigações recentes revelaram que o crime organizado tem investido em postos de combustíveis, portos e refinarias, o que permite não apenas a lavagem de dinheiro, mas também a expulsão de empresários que atuam legalmente. Em muitos casos, a competição não ocorre pela força, mas pelos preços artificialmente mais baixos oferecidos por quem controla o mercado com recursos oriundos de atividades ilícitas.

A preocupação não se limita ao domínio econômico. O especialista alerta que, caso o poder público não reaja, pode-se repetir no Brasil o cenário vívido pela Colômbia nos anos 1980 e 1990, quando cartéis dominaram o país e chegaram a praticar atentados terroristas, incluindo a explosão de aviões e a morte de autoridades.

A conjuntura brasileira, no entanto, apresenta recursos que ainda permitem fazer face a essa ameaça. O papel das forças de segurança, do Ministério Público e das instituições de controle é destacado como essencial para frear o crescimento do crime organizado. No entanto, Capano sublinha que a acção precisa ser integrada e apartada de ideologias políticas.

Outra questão levantada é a desproporção nas leis brasileiras. Apesar de penas severas por crimes como roubo, a recepção ainda enfrenta punições brandas. Para o professor, essa lacuna favorece o ciclo criminoso, uma vez que apenas há roubo porque existe quem compreende.

O cenário internacional também reforça a urgência do debate. Mesmo que o ex-presidente Donald Trump tenha defendido a classificação das facções brasileiras como organizações terroristas, o governo brasileiro optou por não seguir essa linha. A divergência, segundo os analistas, ilustra a gravidade do problema, que já não se restringe ao território nacional.

Capano conclui que o país precisa agir com urgência, mirando o “follow the money” — o bloqueio do fluxo financeiro que alimenta o crime. Sem medidas firmes contra o poder econômico das facções, o Brasil corre o risco de chegar a um ponto de inflexão que comprometerá sua institucionalidade democrática.





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