A evasão de oficiais das Forças Armadas voltou a ganhar destaque em 2024. Dados divulgados pela revista Sociedade Militar mostram que a Marinha perdeu o equivalente a uma turma inteira da Escola Naval somente no último ano, com 113 pedidos de exoneração — um recorde histórico.
Esse movimento, chamado de "debandada", não é exclusivo da Marinha. Polícias militares de diversos estados, especialmente São Paulo, também enfrentam pedidos de baixa de tenentes, capitães e graduados. O fenômeno preocupa especialistas porque ameaça diretamente a renovação dos quadros responsáveis pela defesa e pela segurança pública.
Um dos fatores centrais para essa evasão é a desvalorização salarial. Atualmente, um segundo-tenente da Marinha recebe em torno de R$ 9 mil líquidos, podendo chegar a R$ 18 mil após 25 anos de carreira. Em contrapartida, concursos públicos civis, como Receita Federal e Polícia Federal, oferecem remunerações mais atrativas e progressões rápidas.
Além da questão financeira, os jovens oficiais, em sua maioria pertencentes à geração Z, demonstram outras prioridades. Pesquisas nacionais e internacionais apontam que essa geração valoriza equilíbrio entre vida profissional e pessoal, tempo com a família e ambientes de trabalho mais flexíveis.
Nesse contexto, muitos militares têm migrado para carreiras no setor público e privado que oferecem melhores condições de estudo, ascensão e estabilidade. O levantamento da Sociedade Militar aponta ainda que a dificuldade em conciliar a rotina militar com estudos complementares é outro fator decisivo para a evasão.
A situação não é exclusiva do Brasil. Nos Estados Unidos, estudos mostram que jovens soldados também desejam líderes mais empáticos e preparados para lidar com novos valores culturais. A disciplina rígida, sem abertura ao diálogo, contrasta com as expectativas da nova geração.
Diante desse cenário, especialistas alertam que a falta de atualização das instituições militares pode comprometer a manutenção da soberania nacional. Caso a tendência de evasão se mantenha, haverá impacto direto na formação de quadros experientes para cargos de comando e na própria capacidade operacional das Forças Armadas.
O debate segue aberto. Enquanto isso, cresce a pressão por medidas de valorização, tanto no campo salarial quanto no modelo de gestão e liderança dentro das instituições militares.
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